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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vitão: menos ou, mais?

O prefeito de Paraibuna, Vitão, transformou-se numa incógnita. Pelo menos a quem olhe a coisa aparentemente. De um lado, o prefeito precisa lidar com a herança do seu antecessor em meio à crise política e econômica que se desenrola; de outro, imprimir sua marca.
Afora todo tipo de especulação sobre o que está acontecendo na cabeça do prefeito, desde um rompimento com o próprio grupo político, a dita tentativa do Barros de impedir o Vitão de ser eleito, em favor da Helô, até mesmo de que o Vitão estaria rompendo com a histórica divisão política da cidade – Oposição/Grupo – o fato mesmo é que fatos e atitudes indicam a tentativa do prefeito de virar a página na administração da cidade.
Desde há muito tempo que o Vitão não é um quadro político tipicamente municipal; circula com desenvoltura no cenário estadual, articulando com deputados estaduais e federal. Isso sugere que o Vitão sabe que sua administração não é uma mera questão local. Sabe que não basta apaziguar as disputas locais, atender as demandas menores pra poder administrar; é preciso dar um paço além. E me parece que é isso que pretende.
O fato mais importante hoje é a modernização da prefeitura, mudar a maneira de administrar; fazer a gestão de uma forma nova. Parece que isso é o que vai se desenhando.
A gestão do Vitão, ainda é cedo pra dizer isso, mas vamos lá; lembra em alguma medida a administração do Joaquim Rico. Modernizar, avançar, criar uma nova cultura administrativa, algo mais gerencial, menos político. Todos sabemos o que aconteceu com o Joaquim, mas o Vitão tem o que aquele não tinha, cheiro de povo.

Quem ocupa de forma silenciosa e firme os espaços políticos deixados, em função da inesperada maneira do Vitão de conduzir seu mandato, é o presidente da Câmara, André Sampaio; tem recebido elogios e aprovação até da oposição. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

MBL x Sindicato


Infância estimulada e adolescência suicida

Luciano Alvarenga 

A ideia já bastante difundida de que as crianças devem ser estimuladas desde o nascimento, e que, quanto mais isso for feito, melhores serão os resultados no desenvolvimento dessa criança, permitindo ao fim e ao cabo, que ela esteja munida de um equipamento cerebral-mental a altura de suas potencialidades, deve ser problematizada.
Evidentemente que os estímulos provocados desde a tenra infância, provocam o desenvolvimento em todos os sentidos e, isso é bom, e são corroborados cada vez mais por pesquisas empíricas a respeito. Mas qual é o limite desses estímulos? Mergulhados numa sociedade absolutamente irrequieta, ansiosa e veloz, o fato é que de uma maneira ou outra, as crianças absorvem a cultura a sua volta, e certamente tem demonstrado isso, pela maneira acelerada do seu comportamento.
Uma criança não precisa de estímulo pra descobrir o mundo, ela o descobrirá queiramos ou não. O que não significa que esses estímulos não possam ser direcionados. No entanto, a questão é sobre o assoberbamento, a sobrecarga, a overdose de estímulos a que as crianças estão sendo expostas, em nome de uma precoce formação de capacidade técnicas, habilidades cognitivas, consciência social, vida ecológica, sem mencionar cursos, treinos, jogos, formação as mais variadas. Evidentemente que as crianças têm conseguido assimilar tudo isso, porque é própria desse tempo da infância a capacidade de absorção dessa massa toda de estímulos. Apesar de que cresce o numero de crianças apresentando quadros emocionais problemáticos e inexistentes poucos anos atrás.
Chamo a atenção pra essa questão, posto que, logo depois da infância vem à adolescência, e a segunda causa de morte entre indivíduos de 10 e 19 anos, segundo a OMS, é o suicídio. No Brasil o crescimento de suicídio entre crianças e pré-adolescentes cresceu 40% nos últimos dez anos.
Alguma coisa está acontecendo na infância ou na maneira como essa infância é vivida, e o que o ocorre com a criança na pré e adolescência, que explica o fenômeno aterrador de suicídios em curso no Brasil.
A infância deixou de ser uma geografia própria do viver infantil, onde a criança vive seu próprio mundo e o constrói de acordo com sua particular inserção, e se transformou em território de especialistas, envolvidos com a maximização do viver infantil de tal maneira que sei lá quando, a criança possa usufruir de uma capacidade estimulada desde o berço, e que trará resultados numa vida adulta presumida.
Assim, a criança não vive a infância, é simplesmente objeto de teorias, hipóteses, experiências, psicologias e pedagogias que visam dar a criança o melhor roteiro pro seu viver. Reafirmo, é fundamental pro desenvolvimento infantil que a criança seja, da melhor maneira possível, estimulada. Não é disso que estou falando. Refiro-me a overdose de estimulo de todo tipo e em todas as direções, que, me pergunto, não estaria na base de suicídio de crianças, pré-adolescentes e adolescentes?
Se a quantidade de estímulo recebido e assimilado na infância, que permite a criança uma capacidade extraordinária de entendimento e capacidades cognitivas e técnicas, o mesmo parece deixar de existir da pré-adolescência pra frente. A criança sai de um mundo a ser descoberto, e o faz estimulada a hiperatividade, e mergulha na fase seguinte num marasmo de vida, num ordenamento social e educativo apático e desolador.
É como se o indivíduo que vinha a cento e oitenta quilômetros por hora, em sexta marcha, reduzisse em questão de segundos pra quarenta por hora, em segunda marcha. Porque isso é o que é a adolescência pra quem saiu da infância. Munidos de um cérebro acostumado à hiperatividade, batem num muro adolescente onde não encontram meios de dar vazão à capacidade desenvolvida na primeira parte da vida.
É cérebro demais pra pouca capacidade de existir. O mesmo se dando na infância, é estimulo demais pra quem nada sabe, nada quer, nada deseja, nada sonha pra além de viver a própria infância.

É importante passarmos a problematizar a transformação da infância num laboratório do adulto futuro que se deseja construir. Não nos esqueçamos de que entre a infância e o adulto, temos o suicídio como segunda causa de mortes entre pré e adolescentes no Brasil.